As celebrações em homenagem ao papa Francisco marcam, nesta terça-feira, 21, o primeiro ano da morte do líder religioso. Uma programação especial na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, será transmitida ao vivo pelo canal Vatican News, no YouTube. O pontífice argentino faleceu em 21 de abril de 2025, na Casa Santa Marta, e foi sepultado no local.
Celebrações para lembrar Francisco devem se espalhar por países do mundo. O argentino, um dos papas mais populares dos últimos tempos, foi responsável por reaproximar a Igreja das pessoas, defendendo uma postura mais acolhedora. Desde o início do pontificado de Francisco, em 2013, ele defendia um conceito de “Igreja em saída”. Apontando que o dever da Igreja passa por uma atuação missionária, ao encontro dos pobres, dos esquecidos e das periferias existenciais.
No Vaticano, a programação tem início às 17h (12h no horário de Brasília) com a oração do terço na Capela Paolina, espaço frequentemente visitado por Francisco durante seu pontificado. Em seguida, será inaugurada uma placa em homenagem à devoção dele à imagem da Salus Populi Romani, destacando suas diversas visitas ao local.
Às 18h (13h em Brasília), será celebrada uma missa em memória do pontífice, com leitura de mensagem do papa Leão XIV, sucessor de Francisco, que está em viagem apostólica pela África. A cerimônia principal será transmitida ao vivo pela Vatican News e pela Rádio Vaticano, além de uma exibição em telões na praça em frente à basílica.
Como parte das homenagens, os meios de comunicação do Vaticano também lançam um documentário de 26 minutos sobre a trajetória de Francisco, reunindo imagens de arquivo e momentos marcantes de seu pontificado, conhecido pelo foco na misericórdia e nas periferias.
Argentinos celebram Papa Francisco com música
No último sábado, 18, milhares de fiéis se reuniram na Plaza de Mayo para uma homenagem que uniu música e espiritualidade. O evento, realizado em frente à Catedral Metropolitana de Buenos Aires, contou com apresentações do padre e DJ Guilherme Peixoto com “rave católica”.
Intitulado “Francisco vive en el encuentro”, o encontro foi organizado pela Associação Civil Miserando, com apoio da Arquidiocese de Buenos Aires e da prefeitura.
Durante mais de duas horas, a multidão acompanhou apresentações musicais e momentos de oração, ocupando não apenas a praça, mas também ruas e avenidas ao redor. Entre os presentes estava o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Ignacio García Cuerva.
Trajetória e legado do papa Francisco
Primeiro papa das Américas
Francisco assumiu o papado em 2013. Francisco, nome escolhido por ele para seu pontificado, nasceu Jorge Mario Bergoglio. Argentino de Buenos Aires, foi o primeiro papa das Américas. Filho de imigrantes italianos, era o mais velho de cinco irmãos: dois homens e três mulheres.
Ainda jovem, chegou a formar-se técnico em química, mas, pouco depois, escolheu o caminho do sacerdócio. Licenciou-se em filosofia, foi professor de literatura e psicologia e, posteriormente, licenciou-se também em teologia.
Foi ordenado sacerdote em dezembro de 1969, prestes a completar 33 anos. Já como padre jesuíta, foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires e, posteriormente, em 2001, como cardeal, pelo então papa João Paulo II.
Como arcebispo de Buenos Aires, diocese com mais de 3 milhões de pessoas, elaborou um projeto missionário centrado na comunhão e na evangelização e com foco na assistência aos pobres e aos enfermos.
Francisco foi sucessor do papa emérito Bento XVI que, em fevereiro de 2013, aos 78 anos, renunciou ao pontificado em razão de problemas de saúde. Francisco chegou a presidir o funeral de Bento XVI, em janeiro de 2023, com uma homilia em que o comparava a Jesus.
Em meados de 2024, sobre a possibilidade de também renunciar, Francisco se referiu ao tema como “hipótese distante”, já que ainda mantinha saúde suficiente para seguir com seu papado. “Não tenho motivos sérios o suficiente para me fazerem pensar em desistir”, disse à época.
Apelos contra a guerra
Ao longo de seu papado, Francisco lançou diversos apelos à comunidade internacional por cessar-fogo em conflitos na Europa e no Oriente Médio. “Todas as nações têm o direito de existir em paz e em segurança e seus territórios não devem ser atacados ou invadidos. A soberania deve ser respeitada e garantida pelo diálogo e pela paz, não pelo ódio e pela guerra”, dizia.
Mulher em gabinete-chave da Igreja
Em janeiro de 2025, Francisco nomeou uma mulher para chefiar um importante gabinete do Vaticano, escolhendo a freira Simona Brambilla para dirigir o departamento responsável por todas as ordens da Igreja Católica.
Com a nomeação, pela primeira vez, uma mulher fica responsável por um dicastério ou congregação da Cúria da Santa Sé, órgão central de governo da Igreja Católica.
Milagre na Amazônia
Em outubro de 2024, durante missa na Praça de São Pedro, Francisco proclamou a canonização do padre italiano José Allamano, fundador da congregação dos Missionários da Consolata, por um milagre que teria ocorrido na Amazônia brasileira.
Segundo a organização Consolata América, o milagre ocorreu em 1996, em Roraima, quando um indígena yanomami foi atacado por uma onça e apresentou um grave ferimento na cabeça. Um grupo de missionários teria invocado José Allamano pedindo a recuperação do rapaz, o que se realizou.
Mudanças climáticas
Em agosto de 2024, Francisco fez um de seus últimos alertas em prol da preservação do meio ambiente e exigindo uma ação global contra as mudanças climáticas. “Se medirmos a temperatura do planeta, isso nos dirá que a Terra está com febre. Ela está doente”, alertou.
“Precisamos nos comprometer com a proteção da natureza, mudando nossos hábitos pessoais e comunitários”, continuou o papa, acrescentando que “os que mais sofrem com as consequências desses desastres são os pobres, forçados a deixar suas casas por causa de enchentes, ondas de calor ou secas”.
Bênção para casais do mesmo sexo
Em dezembro de 2023, o Vaticano anunciou, em decisão histórica aprovada pelo papa Francisco, que padres poderiam administrar bênçãos a casais do mesmo sexo, desde que não façam parte dos rituais ou liturgias regulares da Igreja Católica.
Documento do escritório doutrinário do Vaticano destaca que tal bênção não legitima situações irregulares nem deve ser confundida com o sacramento do matrimônio, mas figura como um sinal de que Deus acolhe a todos.
O texto cita que padres “não devem evitar ou proibir a proximidade da Igreja com as pessoas em todas as situações em que elas possam buscar a ajuda de Deus por meio de uma simples bênção”.
Com informações da Agência Brasil


