Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) abriram a campanha eleitoral cumprindo uma agenda quase de romeiro, conforme mostrou esta Coluna. O tucano esteve no Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e em missa na Igreja do Patrocínio, em Sobral. O petista, por sua vez, fez um roteiro ainda mais religioso: passou pelo mesmo Horto, pela Basílica de Canindé, pela estátua de Santo Antônio, em Barbalha, e pela imagem de Nossa Senhora de Fátima, no Crato.
O roteiro inicial dos dois não foi coincidência de calendário nem excesso de devoção. Foi estratégia política, e os números da pesquisa Quaest de julho explicam por quê.
O eleitorado cearense, segundo a Quaest, é 61% católico e 23% evangélico. São dois blocos que somam mais de oito em cada dez eleitores e que votam de maneiras distintas.
Entre católicos, na estimulada, Ciro tem 41% e Elmano, 35%: seis pontos de diferença no primeiro turno, algo próximo da margem quando se considera o tamanho do recorte. Entre evangélicos, o tucano tem 45% contra 27% do governador: dezoito pontos.
A leitura dos números aponta que o “voto religioso” no Ceará tem vertentes diferentes, e isso segue uma lógica nacional.
DIFERENÇA DE ESTRATÉGIAS
Por trás das agendas praticamente idênticas, há interesses distintos. Ciro foi aos santuários para consolidar uma vantagem que já tem e ampliar a entrada no segmento. Elmano foi para conter a distância onde ela é menor e reverter índices onde ela é maior.
Há um dado que ajuda a entender a insistência governista no roteiro católico. Elmano registra 58% de aprovação de governo entre católicos e apenas 35% de intenção de voto no mesmo grupo. São 23 pontos que aprovam a gestão e não se transferem para o voto. É um eleitor que elogia o governo, mas demonstra preferência pelo adversário. A campanha governista sabe que a proximidade com esse eleitorado é fundamental.
(Escrito por Inácio Aguiar DN)



