União Brasil e PP pedem anulação da convenção da federação que decidiu por apoio a Ciro Gomes

 União Brasil e Progressista tentam anular, na Justiça, a decisão da federação União Progressista de apoiar Ciro Gomes.
Foto: Whyn Castro/Divulgação.

Os diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas (PP) pediram, nesta segunda-feira (27), a anulação da decisão da federação União Progressista de apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará. A convenção partidária da sigla, realizada neste domingo (26), também oficializou as candidaturas de Roberto Cláudio (PSDB) a vice-governador e de Capitão Wagner (União) ao Senado, ambos na chapa de oposição.

Presidente do União Brasil no Ceará, Moses Rodrigues (União) já tinha dado o indicativo de que iria questionar a deliberação da federação, que é presidida no Estado por Capitão Wagner. Ele informou, ainda no domingo, que o setor jurídico do partido ia analisar a decisão “para saber quais são os próximos passos”.

Individualmente, os partidos que integram a federação União Progressista decidiram pelo apoio à pré-candidatura do governador Elmano de Freitas (PT), inclusive com a possibilidade de indicação para a vice-governador ou senador na chapa governista registrada na ata da convenção partidária das siglas.

Agora, tanto o diretório estadual do União Brasil como o do PP, presidido pelo deputado federal AJ Albuquerque, pedem a “nulidade da deliberação da Convenção Estadual União Progressista”.

A ação, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), também pede que sejam reconhecidas as “deliberações adotadas pelas convenções estaduais do União Brasil e do Progressistas, regularmente encaminhadas à federação” e que, segundo a defesa, “não poderia ser desconsideradas ou esvaziadas sem fundamento legal ou estatutário específico”.

 

Atas das convenções partidárias de União Brasil e PP registram o apoio dos partidos a Elmano de Freitas.

Legenda: Atas das convenções partidárias de União Brasil e PP registram o apoio dos partidos a Elmano de Freitas.
Foto: Reprodução.

 

PontoPoder acionou o presidente estadual da federação União Progressista, Capitão Wagner, pedindo o posicionamento da sigla sobre a ação. Quando houver resposta, esta reportagem será atualizada.

Em entrevista nesta segunda-feira, antes da ação ser apresentada, ele disse ver “com naturalidade” a possibilidade de questionamento na Justiça Eleitoral. “Mas não tem qualquer embasamento jurídico para ele vencer”, acrescentou.

CRISE POLÍTICA VAI PARAR NA JUSTIÇA ELEITORAL

A crise interna na federação União Progressista não é nova. Antes mesmo da formalização da federação a nível nacional, que aconteceu em março deste ano, alas governistas e oposicionistas dentro dos dois partidos disputavam o comando da estrutura partidária.

O ex-deputado federal Capitão Wagner acabou vencendo a queda de braço e assumiu a presidência da federação no Ceará em maio. Contudo, a Executiva nacional do União Brasil e do Progressista liberaram os filiados para apoiarem o candidato que quisessem para os governos estaduais — decisão que foi ratificada na convenção estadual da federação.

As lideranças governistas não desistiram de atrair a federação União Progressista para o arco de aliança em torno na pré-candidatura de Elmano de Freitas.

Articulações foram feitas a nível nacional, com conversas diretas com o presidente do União Brasil e dirigente também da União Progressista, Antônio Rueda, inclusive com a possibilidade de uma vaga de senador para a sigla na chapa de Elmano.

Contudo, as articulações não tiveram resultado e, no domingo, a convenção estadual da União Progressista confirmou o apoio a Ciro Gomes. Poucos minutos depois do fim do evento, a coligação apresentou o pedido de registro de candidatura de Ciro, tendo Roberto Cláudio como vice.

 

Na sequência da realização da convenção da União Progressistas, coligação pediu o registro da candidatura de Ciro a governador e Roberto Cláudio a vice.

Legenda: Na sequência da realização da convenção da União Progressistas, coligação pediu o registro da candidatura de Ciro a governador e Roberto Cláudio a vice.
Foto: TSE.

 

O QUE DIZEM MOSES, AJ ALBUQUERQUE E CAPITÃO WAGNER?

Capitão Wagner reforçou que “a decisão política sempre cabe às federações. Não é só no União Brasil, não só na União Progressista, em qualquer federação”, diz.

“Cabe aos partidos somente indicar os candidatos para chapa proporcional. Foi o que eles fizeram: indicaram os candidatos a deputado federal e estadual. Mas a decisão política quanto a quem apoiar, que coligação fazer parte, cabe única e exclusivamente à federação. Isso tá na Lei das Federações e está também no estatuto da nossa federação, que copia o que está escrito na lei”, explicou ele.

Moses Rodrigues, no entanto, tem defendido que existe uma convergência entre os dois partidos, União Brasil e PP, na decisão de apoiar a pré-candidatura de Elmano de Freitas. “Os partidos nas suas instâncias locais, ou, no caso, aqui no estado do Ceará, têm autonomia para decidir que partido ele vai apoiar em sua coligação”, disse ele em coletiva de imprensa logo após a convenção da federação.

“Se tiver algum problema nessa discordância, nessa divergência, onde houve convergência com o União Brasil e o PP de apoiar o Elmano e isso sair da esfera estadual e for para a esfera nacional, aí a decisão poderá ser lá em cima”, acrescenta.

Também depois da convenção da União Progressistas, AJ Albuquerque reforçou o apoio do partido a Elmano de Freitas.

“Mais uma vez, certificando que na nossa ata a gente colocou o Partido Progressista apoiar o governador Elmano”, ressaltou. “E assim nós vamos estar para fazer a nossa boa política de sempre, andar todo o estado do Ceará e fazer a reeleição do governador Elmano nesse ano, nessa eleição de 2026”.

(Diário do Nordeste)

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