Vereadora de Banabuiú denuncia violência política de gênero sofrida na Câmara

As falas foram proferidas durante sessão na Câmara Municipal de Banabuiú.
Foto: Reprodução/TV Câmara Banabuiú.

Nessa terça-feira (22), a vereadora de Banabuiú Jardênia Gomes (MDB) afirmou ter sido ameaçada e sofrido violência política de gênero durante a plenária da Casa Legislativa. A sessão foi suspensa logo após o ocorrido.

“Um vereador disse que tinha filmagem minha, disse que eu ia ver com quantos paus se faz uma canoa e disse que o meu mandato estava nas mãos deles. Isso tem nome, se chama violência política de gênero”, relatou a parlamentar em um vídeo publicado no Instagram.

As falas ocorreram após Jardênia discursar na tribuna da Casa. “Após minha palavra facultada, um vereador da base governista usou seu tempo de fala para me atacar publicamente. Disse que eu estava fazendo teatro. Me ameaçou, afirmando que tinha filmagens minhas”, explicou a vereadora ao PontoPoder.

A parlamentar registrou um boletim de ocorrência.

 

 

O vereador em questão é Daniel Bandeira (PSB), 1º vice-presidente da Mesa Diretora da Casa. Após a parlamentar finalizar sua fala na tribuna, ele lhe dirigiu a palavra e verbalizou as ameaças apontadas por Jardênia.

Uma espécie de “bate-boca” foi iniciado entre os dois vereadores logo em seguida, levando ao pedido de suspensão da sessão pelo 1º secretário da Mesa, o vereador Emerson Parente (PDT), que foi acatado pela presidente da Casa, a vereadora Maria de Fátima Silveira (PSD).

ENTENDA O CASO

A situação começou ainda em março, quando Jardênia fez duas publicações “mostrando a situação de pessoas em vulnerabilidade na praça pública de Banabuiú” e expondo “irregularidades da gestão municipal”. A vereadora explicou que, no início de abril, um ofício assinado por órgãos da prefeitura gerou um processo contra ela no Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

PontoPoder teve acesso ao encaminhamento do MPCE. O procedimento diz respeito a um episódio em que a vereadora teria divulgado vídeo de uma pessoa com deficiência aliviando suas necessidades fisiológicas em uma praça do município.

O MPCE pediu, então, que a Câmara Municipal investigasse a ocorrência de quebra de decoro parlamentar. Para o órgão, houve “possível violação aos direitos da pessoa com deficiência contra tratamento desumano, vexatório ou constrangedor”.

Caso constatada irregularidade, a Casa ficaria responsável por aplicar as sanções cabíveis. Para Daniel Bandeira, isso chateou Gomes. Ele se pronunciou pelas redes sociais nesta quinta-feira (23).

“Nós estávamos todos combinados para analisar o processo; não penalizar a colega vereadora, e sim absolver. Estava na pauta de ontem para ser analisado e ser votado ‘sim ou não’, mas eu não sei por que foi retirado da pauta. Em seguida, eu fui surpreendido com a fala da vereadora, insatisfeita com o assunto”, complementou o vereador.

Na sessão ordinária de terça-feira (22), Gomes subiu na tribuna para apresentar “todos os fatos, com documentos e provas”.

Ao início da fala de Jardênia, ela havia coberto a boca com uma fita, como metáfora para “o que a gestão quer fazer com meu mandato”. Na sequência do pronunciamento, o vereador classificou a ação como um “teatro“.

VEREADOR SE PRONUNCIA

Após a repercussão, o vereador Daniel Bandeira se pronunciou sobre a confusão pelas redes sociais. Sem mencionar o suposto vídeo que teria de Jardênia Gomes, conforme citado pela vereadora, ele negou que tenha feito ameaças à colega e cometido violência política de gênero.

“Circula nas redes sociais uma fala minha de um ditado popular que todo mundo conhece: ‘Com quantos paus se faz uma cangaia’. Isso em nenhum momento é ameaça. Eu não ameacei ninguém com violência de gênero”, disse.

Bandeira continuou, relatando uma suposta agressão cometida pelo esposo da vereadora: “Ele me ameaçou, me chamou de palhaço e de vagabundo, subiu no plenário da Câmara para me bater e foi contido pelos meus colegas. Me bater mesmo. E eu estava no meu exercício da função, discursando”.

 

 

PontoPoder procurou Daniel Bandeira para entender os desdobramentos do entrave com Jardênia Gomes. Quando houver retorno, a matéria será atualizada. A reportagem também procurou o posicionamento do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que o vereador Daniel Bandeira representa na Casa, mas, até a última atualização, ainda não houve uma resposta oficial.

A sigla explicou que ainda está analisando as circunstâncias do ocorrido, mas afirma que “o partido sempre se posicionará frontalmente contrário à toda e qualquer discriminação, violência de gênero e demais violências tipificadas que afrontem a dignidade da pessoa humana”. O espaço segue aberto para manifestações.

(Diário do Nordeste)

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