Ceará tem reservas de água garantidas para 2027 e 2028, mas Cogerh alerta para uso consciente

Foto: Cogerh

O Ceará encerrou a quadra chuvosa de 2026 com um cenário animador para a segurança hídrica. Os 144 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulam 6,95 bilhões de metros cúbicos de água, volume que corresponde a 53,82% da capacidade total de armazenamento do Estado. O resultado consolida 2026 como um dos melhores anos da última década em aporte hídrico.

De acordo com a Cogerh, o volume acumulado é o terceiro maior dos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2024, quando foram registrados 10,2 bilhões de metros cúbicos, e de 2023, com 7,1 bilhões de metros cúbicos.

A situação das reservas hídricas é considerada confortável em razão das boas chuvas registradas no Ceará em 2026, o que possibilitou um armazenamento expressivo. O diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, destacou que o Estado conta atualmente com cerca de 9,9 bilhões de metros cúbicos de água armazenados e ressaltou que o volume é suficiente para garantir o abastecimento pelos próximos dois anos.

“Eu gosto de ressaltar que o Estado do Ceará é o estado do Nordeste Setentrional mais preparado para enfrentar a escassez hídrica, porque nós aprendemos, a duras penas, a armazenar toda a água captada durante o período chuvoso e aprendemos a fazer um gerenciamento plurianual. Ou seja, a partir dos níveis de reservação, definimos a liberação dessas águas para o próximo semestre, olhando pelo menos dois anos à frente. Então, resumidamente, eu sempre digo que temos capacidade de enfrentar, pelo menos, dois anos com a reservação que possuímos hoje”, afirmou o diretor.

CINTURÃO DAS ÁGUAS

O Cinturão das Águas do Ceará (CAC) visa proporcionar uma distribuição mais homogênea da disponibilidade hídrica no Estado, ampliando o suprimento de água por meio da adução das vazões recebidas do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco.

Segundo Tércio Tavares, a obra já alcançou 90% de execução e os lotes em andamento devem ser concluídos ainda no segundo semestre de 2026.

O diretor de Operações da Cogerh explicou o que ainda falta para que as águas do Rio São Francisco cheguem em maior volume ao sistema hídrico cearense.

“As águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco são estratégicas para o Estado do Ceará. Mas vale ressaltar que é uma água cara, não apenas pela distância que precisamos percorrer para trazê-la do sul do Estado, a mais de 700 quilômetros da Região Metropolitana de Fortaleza, mas também porque há uma tarifa a ser paga à União. Por isso, utilizamos essa água apenas quando ela é estritamente necessária”, explicou.

Tércio complementou afirmando que, em 2026, não será necessária a utilização das águas da transposição do Rio São Francisco.

CASTANHÃO

Considerado o maior reservatório de água do Ceará, o Açude Castanhão atingiu, em 2026, 33% de sua capacidade, armazenando cerca de 2,23 bilhões de metros cúbicos de água. Segundo Tércio Tavares, o número evidencia a importância estratégica do reservatório para o Estado.

“Ele é um grande pulmão hídrico. Há água suficiente para abastecer toda a região do Vale do Jaguaribe por dois ou três anos e, se necessário, também contribuir para o abastecimento da Região Metropolitana”, destacou.

EL NINÕ

O El Niño é um fenômeno climático-oceânico que ocorre no Oceano Pacífico Tropical, quando as águas da região equatorial centro-leste ficam mais quentes do que o normal. Ele integra um ciclo natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS) e pode provocar alterações climáticas em diversas regiões do planeta.

(Ceará Agora)

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