O Brasil foi covarde na derrota para a Noruega na Copa do Mundo de 2026. Não existe outro adjetivo para explicar o desempenho ridículo no revés por 2 a 1, neste domingo (5), MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos EUA. O time de Carlo Ancelotti caiu nas oitavas de final, a pior classificação desde 1990, quando repetiu tamanho vexame.
Hoje, toda uma geração “escuta falar” do país do futebol sem conhecer – chegamos no maior jejum sem títulos da história, pelo menos 28 anos até o novo torneio. Somente no Século XXI, após o título de 2002, ficamos pelo caminho para Bélgica, Croácia, Holanda e agora a Noruega – sem dúvida, a pior dentre todas as seleções citadas. E confesso que o pior é saber que os noruegueses mereceram a classificação.
POSTURA RIDÍCULA
O Brasil adotou uma postura reativa em campo. A camisa mais pesada do futebol mundial, única pentacampeã, teve medo. Entregou a bola para a Noruega, somou apenas 30% de posse de bola e apostou no contra-ataque para jogar, deixando o adversário totalmente confortável na partida. A estratégia reativa faz parte do jogo, mas ão pode ser admitida diante de uma equipe tecnicamente inferior, como era o adversário. Haaland foi tão mencionado ao longo da semana e a nossa única função era tenta marcá-lo.
Assim, taticamente, distante da própria característica, a Seleção Brasileira sucumbiu. Faltou encaixe na marcação, domínio das ações, protagonismo em campo e ideia do que fazer com a bola – com quatro atacantes, ninguém se entendeu na frente. Haaland, que parecia sumido da partida, teve uma chance de cabecear e marcou. Depois, aos 44, em um contra-ataque, fuzilou Alisson, sem chance alguma de defesa do goleiro.
A passividade marcou a eliminação. Além disso, a fulga do protagonista no primeiro grande lance do jogo: Vini Júnior deveria cobrar a penalidade no lugar de Bruno Guimarães.

CHANCES PERDIDAS
Apesar da estratégia reativa, os ditos ‘deuses do futebol’ ainda concederam duas oportunidades cristalinas ao Brasil. A primeira aos 12, um pênalti que Bruno Guimarães cobrou mal, para defesa do goleiro Nyland. Depois, na volta do intervalo, Endrick ficou cara a cara com o arqueiro e bateu para fora, desperdiçando uma oportunidade inacreditável.
Tudo isso custou cara ao país. Em um mata-mata de Copa do Mundo, jogando mal, a Seleção Brasileira pagou caro pela incompetência. O gol de Neymar aos 54 minutos do 2º tempo mais pareceu um castigo, não dava mais. A síntese do projeto pessoal do camisa 10, convocado machucado, para ter um momento de glória às custas de um time todo.

CICLO DA CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tratou a Seleção Brasileira como lixo no ciclo da Copa do Mundo. Repleta de escândalos, não respeitou o peso das cinco estrelas, em uma jornada marcada por técnicos tampões, como Ramon Menezes e Fernando Diniz, completada pela falta de convicção em Dorival Júnior. O Brasil ficou com o cargo à mostra, assim como a desorganização de quem gerencia o esporte, e trabalhou como pão e circo no fim: “esqueçam tudo, Carlo Ancelotti, o maior do mundo chegou”.
Assim, uma grande cerimônia foi montada para anunciar a convocação. O discurso de campeão tomou conta da nação, quando a verdade é que não estávamos prontos. Não tinhamos time, nem trabalho consistente. E não por culpa do técnico, faltou tempo para a fomentação do projeto, e chegamos nos EUA com o nome, não com um time.
O Brasil se despede da Copa sem pegar Argentinha, França ou Espanha. Mesmo assim, todos sabíamos que éramos piores. O detalhe é que perdemos para a Noruega.
(JOGADA DN)



