O empresário cearense Geovanni Rodrigues, de 43 anos, foi um dos mais de 3 milhões de clientes do banco digital paraguaio Ueno Bank que tiveram as contas congeladas e perderam acesso ao próprio dinheiro na última semana.
Proprietário de uma pizzaria na cidade paraguaia Ciudad del Este, que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR), ele relata um clima de pânico no país nessa quinta-feira (5).
“Há uns seis meses, nós já tínhamos desconfiança com o Ueno. Todo mundo ficava com a pulga atrás da orelha”, lembra.
“Agora, está tendo retirada de dinheiro em massa nos bancos. Todo mundo desesperado”, conta.
ENTENDA A CRISE DO UENO BANK
A crise teve início quando o Ueno Bank teve os serviços suspensos pelo Banco Central do Paraguai (BCP), devido à insuficiência de capital.
Desde o último dia 3 de novembro, data em que o banco foi liquidado, os clientes da instituição tiveram as contas bancárias congeladas.
O caso ganhou repercussão após a identificação de problemas de solvência na instituição e levantou questionamentos sobre operações financeiras, além de possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades paraguaias.
Como resultado, manifestantes foram às ruas para reivindicar a devolução do dinheiro. Longas filas também foram registradas em frente a agências do Ueno Bank, com clientes tentando sacar valores.
O escândalo financeiro resultou na renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo, e do presidente do Paraguai, Santiago Peña.
SALDO BLOQUEADO
Rodrigues deixou o Ceará há oito anos para cursar medicina no Paraguai e, hoje, mora em Foz do Iguaçu há um ano.
Além da carreira médica, Rodrigues administra uma pizzaria no Paraguai e trabalha com importação de perfumes e relógios de luxo.
Ao contrário de outros clientes do Ueno Bank, ele não foi fortemente impactado: o empreendedor não concentrava no banco a maior parte da renda e utilizava outras duas instituições financeiras.
De acordo com Rodrigues, sua conta bancária no Ueno Bank reunia cerca de 2 milhões de guaranis paraguaios, aproximadamente R$ 1.785.
No entanto, no momento, não é possível consultar o saldo no aplicativo do banco ou realizar transferências.
Em um print do aplicativo do banco, compartilhado pelo cearense, lê-se a mensagem: “Não é possível exibir o saldo. Tente mais tarde”.
CLIMA DE PÂNICO
Rodrigues também relata a ocorrência de protestos contra o Ueno Bank em Ciudad del Este, nessa quinta-feira (5).
De acordo com o empresário, vídeos publicados nas redes sociais têm contribuído para a preocupação e o nervosismo da população, ao sugerirem que outros bancos do país podem ter o mesmo desfecho.
Nas redes, circulam relatos de supostos problemas de acesso a contas de outros bancos paraguaios e registros de pessoas em fila na porta de instituições financeiras para sacar dinheiro.
Até o momento da publicação desta matéria, não foram registrados sinais de fechamento de outros bancos paraguaios.
DEVOLUÇÃO DE DINHEIRO
O presidente Peña sancionou, na quarta-feira (4), uma lei aprovada em caráter de urgência pelo Congresso que “permitirá aos correntistas receber, no menor prazo possível, parte do fundo de garantia, a fim de que o dinheiro volte para as mãos daqueles a quem corresponde”.
A norma estabelece que os pagamentos sejam realizados nos próximos cinco dias.
O Banco Central garantiu que os clientes com depósitos congelados “receberão um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis”, que corresponde a cerca de R$ 9 mil.
Oito diretores do Ueno Bank, entre eles seu presidente, Miguel Vázquez, foram presos por envolvimento no escândalo financeiro.
(Diario do Nordeste)
