Mesmo sem eficácia comprovada, venda de ivermectina cresce no Ceará com nova onda de Covid

Com a segunda onda de Covid-19, voltou a crescer a procura por ivermectina, cloroquina e azitromicina no Ceará, medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus. Ainda assim, a demanda tem sido tão grande nas farmácias que o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Ceará  (Sincofarma – CE), Antonio Félix, não descarta que eles possam faltar nos próximos dias.

“Eu não tenho notícias de que está em falta, o problema é que devido ao medo da população pelo aumento do número de casos, as pessoas conseguem receitas e acabam comprando para ter em casa antes de adoecer”, explica.

O presidente ressalta a importância da compra dessas substâncias somente quando houver a prescrição médica. “Espere a prescrição, pois, se faltar, pode comprometer outras pessoas que realmente precisam da medicação”.

Remédios esgotaram em 2020

Embora a demanda esteja alta, Félix afirma que o volume de vendas deste ano ainda não superou o do ano passado, quando chegou a faltar uma série de insumos nas farmácias. No caso da ivermectina, o salto nas vendas passou de 400% em 2020.

O presidente da rede de farmácias Santa Branca, Maurício Filizola, confirma que a busca pelos medicamentos tem aumentado com a nova onda de contaminação, mas que ainda não chega ao patamar do ano passado. Segundo ele, isso se deve ao controverso uso das substâncias.

“No início da pandemia, esses medicamentos, que são usados em outras patologias, foram colocados como tratamento alternativo no início dos sintomas. Com medo, as pessoas buscaram essa opção, o que causou grande discussão no País, até com influência política”, afirma.

Já sobre o abastecimento, Filizola descarta a possibilidade de falta desses itens, tendo em vista que as indústrias e distribuidoras já estão preparadas após a primeira experiência no ano passado.

“Os parques industriais estão mais organizados para a fabricação, assim como o mercado está melhor abastecido, com preparo logístico. São aprendizados que o setor privado faz de forma muito rápida”, aponta.

‘Kit-Covid’

No Brasil, tais medicamentos têm sido utilizados desde o ano passado como possíveis tratamentos precoces para a Covid-19, mesmo sendo não reconhecidos ou contraindicados por diversas entidades, como Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A defesa das autoridades sanitárias é que não existem evidências suficientes que comprovem a eficácia dessas substâncias contra a doença.

No caso da ivermectina, o próprio laboratório que produz o fármaco já afirmou que ele não funciona contra a Covid-19.

Outros insumos 

Além desses medicamentos, outras substâncias como paracetamol, vitaminas C e polivitamínicos também podem sofrer com o desabastecimento, embora ainda haja estoque nos estabelecimentos.

O presidente do Sincofarma também garantiu que álcool gel e máscaras não devem faltar. “As farmácias estão com um bom volume de estoques para suprir a demanda”, afirma.

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